É bem
verdade que agora tudo é mais intenso, mais frenético, mais complexo do
que há alguns anos, mas será que isso justifica a ansiedade crônica com a
qual desenvolvemos nossos interesses?
Uma das
frases que mais ouço atualmente é: “Eu sou muito ansioso, não aguento
esperar”, como que se, ao dizer isso, a pessoa pudesse conquistar um
perdão incondicional para a falta de tato na comunicação ou para
eventuais falhas decorrentes de atropelos e decisões impensadas. Uma
tentativa de estabelecer o rigor científico para essa questão beira a
heresia acadêmica, pois tenta estabelecer correlação com o Distúrbio de
Déficit de Atenção (DDA) para toda essa ansiedade descontrolada, do tipo
que determina que tudo é prioridade, tudo é urgente, tudo é para agora.
Lamentavelmente,
estamos nos esquecendo que tudo tem um ritmo, um tempo para acontecer.
Não se pode acelerar as coisas simplesmente porque “não consegue
esperar”. Isso é imaturo e certamente atenta com o desrespeito às demais
pessoas envolvidas no acontecimento. Vejo exemplos disso toda vez que
estou chegando de uma viagem de avião. Nem bem a aeronave pousa, já
surgem os primeiros passageiros aflitos se amontoando no corredor com
suas bagagens caindo na cabeça dos “menos aflitos”. Esses passageiros
agem como crianças imaturas, como se não soubessem que todos irão sair
de qualquer jeito, por isso, acabam desrespeitando os demais
passageiros.
Há
efeitos muito negativos quando esse comportamento ansioso acontece na
carreira do profissional, pois além de reduzir muito as oportunidades de
real desenvolvimento através de experiências profundas e sedimentadas, o
que acontece é o atropelamento de expectativas com o consequente
desenvolvimento superficial. Ou seja, Talento e Ansiedade são inimigos
mortais. Totalmente inconciliáveis!
Isso gera
um paradoxo nos dias atuais, pois justamente agora, que temos um real
aumento na expectativa de vida e consequentemente da vida profissional,
deveríamos desenvolver nossas carreiras de forma mais serena, sem
ansiedade, explorando todos os nossos talentos conhecidos e ampliando
nossas possibilidades, e não agindo como se fôssemos morrer nos próximos
dez anos.
Você,
profissional de hoje, precisa lembrar que nossa vida é construída em
etapas e cada uma delas tem sua importância e significado. Excluir ou
não explorar qualquer dessas etapas irá trazer resultados diferentes das
expectativas que você mesmo estabeleceu para sua trajetória e reduzirá
sensivelmente o desenvolvimento de seu talento.
Lembre-se: sua estrada é construída a cada passo que dá!




